Não existe fé cega para um cristão verdadeiro. Não há nada na palavra fé (é a velha e boa confiança) que requeira a suspensão da descrença. Se você olhar exemplos da própria Bíblia (nesse texto ainda vou me ater primariamente a ela), você perceberá que ela nunca exigiu isso do crente.
Paulo também era um cético. Se consideramos suas ações como descritas na Bíblia e concordantes com a tradição, ele era um homem que examinava criticamente os fatos que chegavam a ele. Um dos conselhos que ele deu em suas cartas (1 Tessalonicenses 5.21) foi justamente esse: “Não desprezem as profecias [a revelação bíblica], mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom.
Paulo advoga nada mais, nada menos do que o velho princípio de considerar tudo à luz da evidência e decidir racionalmente o que é verdade ou não. Isso é esperado de ciência; por que não de religião?
Quer outro exemplo? Os cristãos de Beréia, em Atos, foram considerados mais nobre do que os de Tessalônica porque receberam a mensagem com alegria eexaminaram dia a dia as Escrituras para ver se o que Paulo dizia era verdade. Dois coelhos de uma cajadada só: essa passagem mostra que a atitude de ceticismo prático era aprovada e que o que Paulo dizia estava de acordo com a Tanaach.
Eu sou um cético. Minha religião está embasada no meu raciocínio. Isso não quer dizer que eu possa provar tudo. Longe disso. Quando mais eu penso no que a minha filosofia representa para mim e para minha interação com os outros, mais perguntas se levantam. Algumas dessas, são intensamente difíceis e eu ainda tenho um longo caminho pela frente para respondê-las. Mas isso não limita o meu pensamento crítico e nem foi capaz de remover a minha fé.